Morávamos em São Paulo quando fomos à uma exposição do Henri Cartier Bresson no Sesc Santana e na loja de lá havia um livro chamado “Caminhos”, de Argus Caruso. Nesta época já tínhamos começado a pesquisar sobre o ticket aéreo de volta ao mundo. Argus completou a volta em bicicleta e esse foi o início do pensamento em também viajar desta forma pois:
Karla tem 31 anos, é de Franca, uma quase Mineira. Uma xícara de café, uma porção de pão de queijo e uma boa dose de conversa são suficientes para alegrar seu dia.
Sempre gostou de comer e de fazer suas alquimias. Quando criança adorava as festas da família sempre regadas a muita macarronada e alegria. Na adolescência se metia a fazer pipoca sem sal com sorvete de creme para as amigas.
Nutricionista de formação cansou de trabalhar para os outros e decidiu de uma vez se dedicar à sua grande paixão, especialmente quando depois de fazer um curso básico de confeitaria se viu completamente envolvida pela coisa.
Querendo descobrir novos sabores e conhecer das diversas culinárias, deixou para trás suas panelas e seus livros de receita para saborear dos mais diversos temperos pelo mundo.
André nasceu em Ribeirão Preto, interior de São Paulo, há 31 anos. Na infância aprontava de tudo com a bicicleta. Caía, machucava, ia mais distante do que era permitido pelos seus pais. De pequeno veio a vontade de viajar pelo mundo pois achava o máximo o estilo de vida daqueles professores de Inglês estrangeiros que vinham para o Brasil ensinar a língua. Na adolescência era o único que não aparecia muito nas fotos da turma. Era ele quem disparava as câmeras de plástico quase descartáveis que tinha na época.
Aos poucos retomou o interesse pela fotografia, mas foi apenas em 2008, quando trabalhava no Depto. de Marketing de um banco em São Paulo, que decidiu tornar a fotografia seu trabalho. Pediu as contas logo depois de um mochilão e foi estudar.
Gosta de gente de tudo quanto é tipo e adora ouvir o que elas têm para contar. Decidiu então, ainda em 2008, que iria trabalhar bastante para poder dar uma volta ao mundo em bicicleta.

Queen’s day in Utrecht.
Começamos nossa viagem pela Holanda no final de Março. Bastante frio e úmido para nós, brasileiros acostumados com um frio mais quente que o verão deles.
Foi em Amsterdam que tivemos nossa primeira experiência como Couchsurfers. Fomos recebidos pelo casal Lea e Hans, ela mexicana e ele holandês e o adorável Bressan, um Doberman que não mete medo nem em um Poodle.
Foram 8 dias de espera para uma das bicicletas chegar. Incontáveis visitas quase que diárias à loja do Eric para acertar os últimos preparativos, observar, curtir o ritmo da cidade e ter uma noção maior do quão importante a bicicleta é para o holandês.
Assim que a bicicleta chegou, fomos convidados pelo Eric e sua namorada Carla para participar de uma pedalada de Páscoa com cerca de 100 ciclistas de uma associação, os Wereldfietsers.
Durante 2 dias pedalamos cerca de 140Km acompanhados de ciclistas experientes -os quais muitos já pedalaram pelo mundo-, muito frio e chuva. A Karla de cara levou seu primeiro tombo, amanhecemos com a barraca e as bicicletas congeladas e sofremos, pois nunca havíamos pedalado tanto em um dia e muito menos com as bicicletas carregadas.
Já estávamos em nosso 2º Couchsurfer, Anna Karima, quando fomos orientados pelo Eric a pedalar por cerca de 500Km e retornar para um check-up. Neste momento fizemos nossa primeira mudança no roteiro que era ir para a Alemanha pedalar pelo Rio Reno.
Foram duas semanas pedalando em intermináveis ciclovias, atravessando inúmeros canais, acampando em fazendas e em campings selvagens e conhecendo pessoas interessantes e interesadas das menores às maiores cidades como Rotterdam, Gouda e Utrecht.
Nesta volta tivemos a certeza de que havíamos escolhido o local certo para começar a pedalar. Fomos surpeendidos pela hospitalidade do povo holandês que mesmo acostumados com as bicicletas, ainda assim tinham muita curiosidade para saber sobre nós e nossa viagem.